Perguntaram-me como é que continuava a acreditar na existência de algo superior depois de todos os argumentos em prova do contrário...
Novamente, olhemos para o percurso Histórico da Humanidade.
Na Pré-História, onde todos viviam a sua vida e se descobriu o fogo, a roda, a semente, a vida em família, etc.
Na idade Média, mesmo em todas as batalhas sangrentas (que eu condeno Deus a ter permitido) houve certos episódios de bondade, de pessoas que verdadeiramente foram boas e ajudaram o próximo, podemos basear-nos nas lendas que os descrevem (até porque estas têm sempre um fundo de verdade), podemos basear-nos nas crónicas da História, etc; para provar que estas pessoas existiram mesmo. Mesmo nestes tempos sangrentos, o Amor existia. Sentimento esse que é inspirado em Deus e que Deus permite a existência mesmo em tempos dificeis...
Com a chegada do Estado, do Capitalismo, Liberalismo, Revolução Industrial e todas essas invenções, surge um Estado que apesar de aumentar as diferenças entre individuos preocupa-se com o mais fraco, iniciativas estas que são defendidas por quem defende Deus...
Chegados ao sec XX e XXI, e com tantos maus exemplos de terrorismos, podemos salientar exemplos como Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Malcom X, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II (este último poderá suscitar alguma polémica), Barack Obama (tem boas intenções), temos varíadissimos actores internacionais que nos mostram o caminho a seguir mesmo no meio de toda esta maldade, se não são inspirados por Deus ou algo mais, então porque quem são?
Porque não admitir que foi Deus que inspirou esses Homens a fazerem estas descobertas, estas tentativas, que os incitou a não desistirem quando não conseguiam perceber alguma coisa?
Talvez não se tenha manifestado enquanto Deus para os Cristãos ou como Alá para os muçulmanos, mas simplesmente como algo que inspira os Homens a atingirem o seu potencial...
Francisco não quero discutir sobre este assunto porque acredito que cada um deve acreditar no que quiser desde que a fé nessa entidade superior sirva para o tornar numa pessoa melhor. Contudo continuo a perguntar-me se Deus não passa exactamente disso que defendeste, apenas uma inspiração para fazer o bem... E nesse caso então é uma boa razão para acreditares, mas não achas que é possível haver todos esses sentimentos nas pessoas que não acreditam? E então o amor e a compaixão vêm de Deus, mas o ódio e a crueldade são intrinsecos ao Homem?
ResponderEliminarÉ inspirador saber que ainda consegues acreditar tendo em conta a sociedade que descreveste no texto anterior, eu apenas tenho fé que hajam alguns seres humanos que sejam educados a ser solidários e que tenham dentro de si bondade e todos esses sentimentos altruístas defendidos pelas religiões.
Obrigada pela tua resposta. =)
sim, efectivamente Deus pode ser apenas isso, uma inspiração, algo que nos leva a ser boas pessoas, ou não...
ResponderEliminarde acordo com algumas doutrinas, podemos defender o pessimismo antropológico, portanto sim, o Homem no seu Estado Natural faria o mal, apenas procuraria o interesse privado, descurando tudo e todos os que o rodeiam, viviamos no medo, inseguros, etc.
Eu pessoalmente gosto de acreditar que a Natureza do Homem é boa, até porque somos criados (ou não) à semelhança de algo também bom, seje ele Deus ou não...
Mas, essa inspiração leva-nos a atingir o nosso verdadeiro potencial enquanto seres humanos, de todas as maneiras e feitios, sejam bons desportistas, boas pessoas, bons politicos (se é que existem), etc.
No entanto, temos que ter em conta, e aqui eu insiro-me num pensamento tipicamente manicaista (doutrina que afirma que o Mundo é uma constante batalha entre duas forças, tem que haver sempre o oposto de algo), se há alguma coisa ou alguém que nos inspira a atingir o nosso verdadeiro e melhor potencial, por oposição temos também que ter algo que nos leva a seguir "maus caminhos", que nos leva a ser o pior que qualquer humano consegue ser...
Acho também que todos temos livre arbitrio e podemos escolher entre o bem e o mal, a escolha depende de cada um. Depende de cada um saber o que quer para si...