sábado, 29 de janeiro de 2011
Só mais um
Só mais um.
Só mais um copo. De vida, de morte, amor ou vicio.
Fiel companheiro nunca me abandonaste, não rejeitaste nunca o meu amor, sempre cheio de tudo o que eu precisasse que fosses.
Só mais uma vez.
Ama-me, mata-me, consome-me por inteiro, chega a todos o meu corpo. Só mais uma vez.
Teu corpo sensual, poderoso, consistente, interessante e inteligente. Dá-me o calor que qualquer mulher me daria sempre que to pedir. Não são precisos cortejos ou joguinhos entre nós, apenas preciso de dizer que te quero ou que preciso de ti, nem que seja por uma noite. Só mais uma vez.
Só mais um.
Um último trago de luxo suicida, uma espécie de jura de amor eterno. Uma última sensação de estar plenamente satisfeito contigo a meu lado.
Obrigado por estares sempre aí.
Mário
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Tu que me olhas
A ti que me olhas todos os dias.
A ti que me vês como um ser humano e não me objectificas. Para ti não sou apenas uma puta.
A ti que te referes a mim como vida e não como luxúria.
Tomas-me como alguém que apenas podes desejar sem nunca ter (será?)
Eu também te vejo todos os dias. A observares as pessoas. A veres a vida passar diante de ti sem nunca fazeres realmente parte dela.
Age! Não sejas mero espectador.
Convida-me para sair, convida-me para ser tua. Quem te garante que eu vá dizer que não?
Foste o primeiro (e talvez o único) que te interessaste pela mulher que eu sou e não porque me vendo a mim e ao prazer que proporciono.
E isso tocou-me...
Gostava de te dar o que queres e quem sabe algo mais. Gostava de fazer por ti o que tu fizeste por mim. Fizeste-me sentir pessoa, querida, interessante. Tu? Não és como os outros homens. És diferente.
Gostava de te dizer que te amo e que quero ficar contigo.
Mas só o faço quando fizeres parte da vida, da História, quando tiveres histórias para contar, para me adormeceres a teu lado.
Age! Não sejas mero sonhador
Blanche
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O estranho do carro, a puta da esquina e o bêbado de sempre
Sentado no carro à espera não sei bem de quê.
A puta à espera que a venham buscar na esquina do costume.
O bêbado, sentado no bar de sempre, no banco de sempre com a bebida de sempre na mão.
A vida tem destes momentos de apatia que surgem quando há demasiado rotina, quando já não temos tempo para nós nem para nos confrontarmos com os nossos "monstros". A rotina mata-nos. Consome-nos.
A puta quando deixar (eventualmente) de trabalhar, irá certamente voltar à sua esquina que lhe é tão familiar. O bêbado quando largar o vício retornará ao seu bar de sempre, nem que seja para tentar a tentação (resta saber se não é ele o tentado).
Como a puta que trabalha a esquina.
Como o bêbado que vive para o álcool.
Como o estranho que se senta no carro e escreve.
Tudo na vida se baseia em pequenos pormenores, não podemos olhar apenas para a generalidade das coisas.
Devemos saber mais sobre as pessoas, antes de as julgarmos.
Porque é que a puta se vende? Porque é que o bêbado começou sequer a beber? Porque é que o estranho no carro se senta e observa estas pessoas?
São todos pessoas normais.
A puta ?
Chama-se Blanche e não é uma puta de rua qualquer, é uma call-girl de origem nórdica. Longos cabelos loiros, seios proeminentes, um portento de mulher. Bela e generosa, a epítome de de uma mulher. Todos os homens que por ali passam a desejam, a querem (possui-la). Mas Blanche não. É mulher de um só homem (por noite).
É como se diz ."Não é para quem quer é para quem pode".
Começou a vender-se quando chegou a Portugal aos 20, uma vez de vez em quando para ter dinheiro para pagar os estudos e ajudar os pais no seu país natal, que agora não me recordo qual era...
Depois dos estudos vieram as drogas, as festas, o vicio tornou-se incomportável e o que era um part-time passou a trabalho a tempo inteiro.
Formada em Psicologia, rapariga inteligente... (que desperdício).
Hoje, aos 30, 10 anos depois de um começo simples. Já livre das drogas, Blanche continua puta, com um corpo fenomenal e enquanto durar não pensa parar. O dinheiro é fácil e por vezes (muito raramente) até lhe dá algum prazer.
O estranho do carro, olha para Blanche. Interrogando-se se alguma vez terá uma oportunidade com ela...
Quando fala de Blanche, o estranho quase que a admira, fala com um certo "deliciamento" por poder olhar para tal beleza todos os dias.
Mas quando pensa no bêbado, observa-o com pena... Um homem sozinho, sem ninguém que beba um copo com ele...
O bêbado chama-se Mário, tem 57 anos, a sua mulher deixou-o por outro. Tem 2 filhos, um padre e o outro não lhe fala.
Passa os seus dias sentado no mesmo banco, bebendo o mesmo whisky, contando as mesmas histórias todos os dias.
Começou a beber em casa, quando o casamento começou a desmoronar, isto à quase 5 anos.
Mário sempre soube que a sua mulher tinha um caso, mas preferia ignorar e manter as aparências, assim sempre tinha alguém para quem chegar à noite, depois do trabalho. Mas amor? Não...
Os filhos, se um tinha ido para padre e Mário ainda não tinha conseguido lidar com isso, o outro já não lhe falava. Não depois de Mário numa das suas bebedeiras habituais se ter tornado violento e ter começado a agredi-lo porque ele lhe tinha pedido alguma coisa. Já foi à tanto tempo, que nem Mário se lembra. O álcool tem destas coisas...
Quando a mulher se divorciou para ficar com a sua "alma gémea", Mário entrou numa espiral depressiva brutal, bebia no trabalho, a guiar, em casa, basicamente sempre que tinha 4 min livres servia-se de um copo do seu whisky. Famous Grouse 15 anos.
Foi despedido, vivia de empréstimos bancários, bebia, suicidava-se todos os dias um bocado. Como se esperasse a chegada da morte.
Talvez se preferisse enfrentar o facto de o amor já não estar presente no seu casamento mais cedo, nada disto teria acontecido.
Se aceitasse as escolhas do(s) filho(s), talvez não estivesse tão sozinho.
O estranho do carro, via Mário como uma pessoa solitária. Sem grandes amigos. Interrogando-se sempre se devia ir falar com ele, para o tentar animar ou ao menos para tentar perceber melhor a sua história...
A vida é mesmo feita de pormenores, são eles que nos permitem percebermos as pessoas, são as pequenas coisas que fazem de nós, nós.
Ah! Eu sou o estranho do carro
A puta à espera que a venham buscar na esquina do costume.
O bêbado, sentado no bar de sempre, no banco de sempre com a bebida de sempre na mão.
A vida tem destes momentos de apatia que surgem quando há demasiado rotina, quando já não temos tempo para nós nem para nos confrontarmos com os nossos "monstros". A rotina mata-nos. Consome-nos.
A puta quando deixar (eventualmente) de trabalhar, irá certamente voltar à sua esquina que lhe é tão familiar. O bêbado quando largar o vício retornará ao seu bar de sempre, nem que seja para tentar a tentação (resta saber se não é ele o tentado).
Como a puta que trabalha a esquina.
Como o bêbado que vive para o álcool.
Como o estranho que se senta no carro e escreve.
Tudo na vida se baseia em pequenos pormenores, não podemos olhar apenas para a generalidade das coisas.
Devemos saber mais sobre as pessoas, antes de as julgarmos.
Porque é que a puta se vende? Porque é que o bêbado começou sequer a beber? Porque é que o estranho no carro se senta e observa estas pessoas?
São todos pessoas normais.
A puta ?
Chama-se Blanche e não é uma puta de rua qualquer, é uma call-girl de origem nórdica. Longos cabelos loiros, seios proeminentes, um portento de mulher. Bela e generosa, a epítome de de uma mulher. Todos os homens que por ali passam a desejam, a querem (possui-la). Mas Blanche não. É mulher de um só homem (por noite).
É como se diz ."Não é para quem quer é para quem pode".
Começou a vender-se quando chegou a Portugal aos 20, uma vez de vez em quando para ter dinheiro para pagar os estudos e ajudar os pais no seu país natal, que agora não me recordo qual era...
Depois dos estudos vieram as drogas, as festas, o vicio tornou-se incomportável e o que era um part-time passou a trabalho a tempo inteiro.
Formada em Psicologia, rapariga inteligente... (que desperdício).
Hoje, aos 30, 10 anos depois de um começo simples. Já livre das drogas, Blanche continua puta, com um corpo fenomenal e enquanto durar não pensa parar. O dinheiro é fácil e por vezes (muito raramente) até lhe dá algum prazer.
O estranho do carro, olha para Blanche. Interrogando-se se alguma vez terá uma oportunidade com ela...
Quando fala de Blanche, o estranho quase que a admira, fala com um certo "deliciamento" por poder olhar para tal beleza todos os dias.
Mas quando pensa no bêbado, observa-o com pena... Um homem sozinho, sem ninguém que beba um copo com ele...
O bêbado chama-se Mário, tem 57 anos, a sua mulher deixou-o por outro. Tem 2 filhos, um padre e o outro não lhe fala.
Passa os seus dias sentado no mesmo banco, bebendo o mesmo whisky, contando as mesmas histórias todos os dias.
Começou a beber em casa, quando o casamento começou a desmoronar, isto à quase 5 anos.
Mário sempre soube que a sua mulher tinha um caso, mas preferia ignorar e manter as aparências, assim sempre tinha alguém para quem chegar à noite, depois do trabalho. Mas amor? Não...
Os filhos, se um tinha ido para padre e Mário ainda não tinha conseguido lidar com isso, o outro já não lhe falava. Não depois de Mário numa das suas bebedeiras habituais se ter tornado violento e ter começado a agredi-lo porque ele lhe tinha pedido alguma coisa. Já foi à tanto tempo, que nem Mário se lembra. O álcool tem destas coisas...
Quando a mulher se divorciou para ficar com a sua "alma gémea", Mário entrou numa espiral depressiva brutal, bebia no trabalho, a guiar, em casa, basicamente sempre que tinha 4 min livres servia-se de um copo do seu whisky. Famous Grouse 15 anos.
Foi despedido, vivia de empréstimos bancários, bebia, suicidava-se todos os dias um bocado. Como se esperasse a chegada da morte.
Talvez se preferisse enfrentar o facto de o amor já não estar presente no seu casamento mais cedo, nada disto teria acontecido.
Se aceitasse as escolhas do(s) filho(s), talvez não estivesse tão sozinho.
O estranho do carro, via Mário como uma pessoa solitária. Sem grandes amigos. Interrogando-se sempre se devia ir falar com ele, para o tentar animar ou ao menos para tentar perceber melhor a sua história...
A vida é mesmo feita de pormenores, são eles que nos permitem percebermos as pessoas, são as pequenas coisas que fazem de nós, nós.
Ah! Eu sou o estranho do carro
domingo, 23 de janeiro de 2011
Uma térmita
Vivo no meio do pó, da solidão, do que podia ter sido e não foi. No meio de de um infindável número de "ses" e "e se".
Estou entre sonhos, contos, histórias de embalar e outras tantas que nunca foram contadas.
Estou num sótão...
Aqui há História e histórias, lendas. Sonhos começados, começados, nunca acabados.
Cheguei cá não sei bem como, era ainda pequenina quando a minha mãe me trouxe para cá. Infelizmente sou já a única que resta de uma família numerosa de tantas outras iguais a mim.
Vou-me alimentando dos móveis, das suas histórias sobre a História que os levou até lá.
Deparei-me já com móveis mais interessantes que as pessoas que os deitam fora, que os abandonam aqui, no sótão, à mercê de indivíduos necrófagos como eu.
Tenho por vezes como pratos principais as secretárias que acompanharam Napoleão até Waterloo, as mesas-de-cabeceira que estavam no bunker em que Hitler pôs fim à sua vida. A cadeira onde Marylin Monroe era maquilhada todos os dias, as bancadas onde Martin Luther King proferiu tantos discursos.
Parece que os donos de toda esta História fantástica se esqueceram já da sua importância.
No sótão não é só "gente" famosa.
Tenho como companhia, se preferirem, entradas. Os roupeiros da avó, os baús que guardam todos os "esqueletos" da família, um sem número de coisas que não são devidamente apreciadas pelas pessoas. Hoje, é tudo na base do aqui e agora, do prazer instantâneo de comprar um móvel mais "fashion", mais minimalista em tons de branco, preto e cinzento. Bah! O prazer das memórias já não é o mesmo, o prazer de mostrar a herança familiar foi-se perdendo com o tempo.
Enfim, os valores de hoje não são os mesmos que as gerações anteriores defendiam.
E por isso, mandam toda a História para meio do pó. As batalhas diárias, para o meio do esquecimento. As recordações, para o meu prato...
Estou entre sonhos, contos, histórias de embalar e outras tantas que nunca foram contadas.
Estou num sótão...
Aqui há História e histórias, lendas. Sonhos começados, começados, nunca acabados.
Cheguei cá não sei bem como, era ainda pequenina quando a minha mãe me trouxe para cá. Infelizmente sou já a única que resta de uma família numerosa de tantas outras iguais a mim.
Vou-me alimentando dos móveis, das suas histórias sobre a História que os levou até lá.
Deparei-me já com móveis mais interessantes que as pessoas que os deitam fora, que os abandonam aqui, no sótão, à mercê de indivíduos necrófagos como eu.
Tenho por vezes como pratos principais as secretárias que acompanharam Napoleão até Waterloo, as mesas-de-cabeceira que estavam no bunker em que Hitler pôs fim à sua vida. A cadeira onde Marylin Monroe era maquilhada todos os dias, as bancadas onde Martin Luther King proferiu tantos discursos.
Parece que os donos de toda esta História fantástica se esqueceram já da sua importância.
No sótão não é só "gente" famosa.
Tenho como companhia, se preferirem, entradas. Os roupeiros da avó, os baús que guardam todos os "esqueletos" da família, um sem número de coisas que não são devidamente apreciadas pelas pessoas. Hoje, é tudo na base do aqui e agora, do prazer instantâneo de comprar um móvel mais "fashion", mais minimalista em tons de branco, preto e cinzento. Bah! O prazer das memórias já não é o mesmo, o prazer de mostrar a herança familiar foi-se perdendo com o tempo.
Enfim, os valores de hoje não são os mesmos que as gerações anteriores defendiam.
E por isso, mandam toda a História para meio do pó. As batalhas diárias, para o meio do esquecimento. As recordações, para o meu prato...
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Voltei
Pronto, agora que estou de férias posso voltar a dedicar-me a vocês, ou secalhar só a mim, porque isto é a minha terapia. Sim, eu sou demente!
Aguardem que vai tudo voltar à normalidade
Aguardem que vai tudo voltar à normalidade
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
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