Amar alguém é como mudar de país. Tudo acontece aos poucos e a seu tempo. Primeiro temos autorização para nos mudarmos, deixam-nos entrar. Arrendamos uma casa só com portas e janelas. Compramos uma cama e decoramos a nossa nova morada, o número de telefone. Mas ainda não sabemos falar a língua. Aprendemos a dizer bom dia, boa tarde, bom almoço, mas ainda é tão pouco. Depois descobrimos que eles não servem pequenos-almoços depois do meio-dia. Acordamos mais cedo, mudamos rotinas. Descobrimos que ali o tempo é demasiado quente, renovamos o armário. E aos poucos a cidade que pintávamos todos os dias, de ruas e caras novas, a cidade em que volta e meia nos perdíamos e que nos frustrava porque pensávamos que já tínhamos decorado o caminho para casa, torna-se familiar. As ruas tornam-se amigas e já não nos confundem, o caminho é automático e simples, tudo se torna mais fácil e habitual.
Amar alguém é assim. Amar não é entrar de rompante e já saber o que ele costuma guardar em cada gaveta. Amar é descobrir, todos os dias, como se fosse o primeiro, é entrar em casa de bicos dos pés para não o acordar, até um dia deitar no sofá dele quando ele não está. Amar é assim. Um país, uma cidade, uma vida nova, que aprendemos a viver todos os dias.
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