quinta-feira, 16 de junho de 2011

Liberdade


Durante toda a História da Humanidade que os povos procuraram a liberdade. Todos os povos lutaram pela sua individualidade enquanto povo, enquanto cidadãos do Mundo e enquanto pessoas próprias. Tanto quanto puderam até chegarmos onde estamos hoje.
Nós estudantes não somos diferentes. Somos um colectivo de individuos que sempre lutou por encontrar aquela individualidade que lhe é tão própria, tão rara, tão única. 
Nós estudantes somos um povo que constrói a sua História em busca de uma certa liberdade, de um certo sentimento de libertinagem, revolta, assumir papéis que secalhar não estamos tão prontos quanto julgamos.

No momento em que entramos numa creche ou na pre-primária começamos a chorar porque não queremos ir, preferimos muito mais a nossa liberdade em casa, comer quando queremos, brincar quando queremos, chorar e dormir sempre que nos apetecer. Até percebermos que afinal aprender não custa assim tanto os nossos pais têm que aturar o nosso choro diário todos os dias de manhã.
Depois crescemos um bocado, já sabemos que a escola é uma obrigação e lutamos para chegar sempre ao fim da mesma, sem levar muito na cabeça de preferência, termos um Verão descansado, sentir que conquistámos a liberdade merecida aos professores malvados. Viva nós!
Ao mesmo tempo que fazemos isto tudo, vamos começando a construir uma identidade, criamos um grupo de amigos, individuos com quem nos identificamos ou com quem, às vezes, tentamos desafiar os nossos pais…
Liceu. Esse sitio mitico onde muitas vezes se começam os maus hábitos de fumar, drogas leves; onde se começam também os bons hábitos que porventura não tivéssemos começado já anteriormente, desde as primeiras relações mais sérias, até às relações menos sérias e que os italianos diriam apenas “mia ragazza”. Aqui começamos já a sentir algumas dificuldades e a perceber que a nossa liberdade vai começar mais a custar a ganhar… Daí termos a hipótese de não fazermos algumas coisas e escolher um caminho mais fácil, um caminho que nos agrade mais.
Quando o acabamos achamos, normalmente, que já somos donos e senhores de uma razão que não possuimos. Que estaríamos prontos para o que o Mundo nos pusesse à frente. Errados estávamos!
Os nossos pais incitam-nos a a ir fazer um curso superior. Nós aceitamos, pensamos que são só mais 3 anos e depois estamos livres destas amarras a que chamo estudos, livros, professores. Vida de estudante.
Na faculdade tudo começa!
1º ano é o conhecer de um Mundo completamente novo de festas, de sexo, de míudas, de professores que não querem nem saber de nós, das nossas faltas, das nossas notas. É aqui que vemos quem tem o bom grupo de amigos que não nos deixa chumbar e nos incita a seguir com aquilo que na altura parece uma seca.
2º ano já somos os maiores da quinta, já temos o nosso grupo, já conhecemos os cantos à casa, já sabemos que nos safamos às cadeiras mesmo sem ir ás aulas e isso de algum modo até nos traz alguma paz de espirito. O problema deste ano são os amigos que vão de Erasmus, aqueles que nos motivavam a ir à faculdade e às aulas foram-se embora. E agora? Se esses crescem lá fora nós então crescemos cá dentro.
Quando chegamos ao 3º ano já não podemos ver aqueles edificios, aquelas salas à frente. Começamos a gostar cada vez mais de alguns professores e cada vez menos de outros. Já sabemos como é que vamos fazer para passar às cadeiras do professor x e como é que se fazem trabalhos e ensaios que tais para passarmos a essas cadeiras.
O nosso grupo de amigos está reunido e vamos fazendo as coisas, sabe-se lá como. 
Começamos a pensar “Falta 1 ano, faltam 6 meses, falta 1 semana e acabámos! Já somo Srs. Dtrs”.
É aqui que eu coloco o problema. Se é verdade que este pensamento é fantástico, o mesmo tem um grande quê de responsabilidade, de pensamento negativo. Acabámos… E agora? Mestrado? Ano sabático? As respostas são os mais variadas possiveis, mas é inegável o facto de que daqui uns tempos vamos ser os “adultos”, vamos ser os (des)empregados de alguém, vamos ser o futuro que todos estavam à espera.
Os amigos esses ficam para a vida, alguns pelo menos, outros nem por isso. Os próximos dias vão ser muitas lágrimas contidas, outras nem por isso. De felicidade, de tristeza, de amor, de saudade. Muitas coisas fizemos, por muito passámos e parece que no entanto nada fizemos.
Mas uma coisa é certa.
Não o tinha conseguido sem vocês. Meus amigos, verdadeiros professores de vida, de liberdade, de ser, ouvir e pensar. A vocês todos agradeço, a vocês todos digo Obrigado e até sempre.
Lutem pela nossa liberdade, lutem pela vossa liberdade, lutem pela minha liberdade. Sem nunca se esquecerem do que fomos todos juntos enquanto estivemos presos.

1 comentário:

  1. E é mesmo tudo isto que disseste. Fico feliz por te feito parte desta tua jornada, na faculdade. Obrigada também pela partilha de experiências e pla companhia ao longo de 3 anos de grandes mudanças na vida de todos nós. Obrigada. E agora, força! Também estaremos aqui para continuar a ver-te conquistar etapas.

    ResponderEliminar